Pelos Trilhos da História de Paty do Alferes
No Centro-Sul Fluminense, na região turística do Vale do Café, fica o encantador município de Paty do Alferes, a 118 km da cidade do Rio de Janeiro, a capital do estado. A cidade integra o antigo Caminho Novo da Estrada Real, e é dela que parte o Caminho do Imperador. O seu nome junta a patente militar de Alferes à palavra Pati, vocábulo de origem indígena que designa um tipo de palmeira da região. Paty do Alferes já se chamou Roça de Nossa Senhora da Conceição da Serra Acima, Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e Vila de Nossa Senhora da Conceição de Paty do Alferes. A sua colonização começou no final do século XVII, e tantas mudanças de nome devem-se à passagem da Estrada Real e à abertura do Caminho Novo de Minas.
Pelos Trilhos da História de Paty do Alferes
A Estrada Real e o Caminho do Imperador
Em 1704, o bandeirante Garcia Rodrigues Paes, para criar um percurso mais rápido e seguro para o escoamento do ouro, abriu o Caminho Novo da Estrada Real, que ligava o centro do Rio de Janeiro, onde ficava a corte portuguesa, a Minas Gerais. Até então, usava-se um caminho menos seguro, que ligava Paraty - RJ a Ouro Preto - MG e que passou a ser conhecido como Caminho Velho. No entanto, cerca de 35 anos depois, foi aberto um atalho vicinal, e a rota original traçada por Garcia (que passava por Paty do Alferes) caiu em desuso. Foi neste novo percurso, que atravessa a Região Serrana fluminense, que viria a ser fundada a Cidade Imperial de Petrópolis. Além do Caminho Novo, outro percurso importante passava por Paty do Alferes: o Caminho do Imperador. O caminho recebeu este nome porque D. Pedro II costumava percorrê-lo a cavalo entre Paty e Petrópolis. O imperador tinha o hábito de ir a Paty do Alferes para visitar o seu amigo, o segundo Barão de Paty, e cavalgar com ele; o barão costumava receber o monarca na Fazenda Manga Larga.
A Estrada Real e o Caminho do Imperador
Protagonismo no cultivo do café
Em 1730 foi criada, ao longo do Caminho Novo, a Fazenda da Freguesia, hoje conhecida como Aldeia de Arcozelo. Para os peregrinos que atravessavam a Serra do Tinguá rumo ao interior do Brasil à procura de ouro, a fazenda tornou-se um importante ponto de referência. No início do século XIX, Paty do Alferes era o maior produtor de café do Vale do Paraíba e enriquecia a aristocracia rural fluminense com a mão de obra de negros escravizados. A Fazenda da Freguesia pertencia ao Capitão Manoel Francisco Xavier e foi palco de uma das mais importantes rebeliões de escravizados do país.
Protagonismo no cultivo do café
A Rebelião de Manoel Congo
O levantamento ocorreu em 1838, liderado pelo ferreiro Manoel Congo, que hoje dá nome a uma das praças de Paty. Conhecida como a Revolta de Paty do Alferes, a rebelião foi duramente reprimida, com a participação da Guarda Nacional do Império. Como castigo, cada um dos capturados recebeu 650 chicotadas, e Manoel Congo foi condenado à forca. Pouco mais de cem anos depois, na década de 1960, a Fazenda da Freguesia foi doada ao ator, poeta e diplomata brasileiro Paschoal Carlos Magno. Em 1965, ele fundou a Aldeia de Arcozelo, que, com os seus 51 mil metros quadrados, se tornou o maior e mais importante complexo cultural da América Latina na época. Hoje está fechada para obras e, em breve, vai acolher um museu dedicado à história de Manoel Congo e à memória dos escravizados da região.
A Rebelião de Manoel Congo
A Icónica Festa do Tomate
A rica herança agrícola de Paty do Alferes reflete-se na cultura dos dias de hoje, e o maior exemplo disso é o famoso Festival do Tomate. Realizado com entusiasmo e dedicação, este festival é uma celebração anual que une a comunidade em torno de uma tradição única: celebrar o tomate. Durante a festa, moradores e visitantes reúnem-se num parque de exposições para participar em diversas atividades que refletem a cultura e o espírito acolhedor de Paty do Alferes.
A Icónica Festa do Tomate
Paty do Alferes, esta potência agrícola que foi palco de acontecimentos históricos, é o lugar perfeito para quem procura contacto com a natureza, com a história e com a aventura, com circuitos para percorrer a pé, de bicicleta e até a cavalo. Venha conhecer Paty!
O projeto Trilhas de Paty é uma realização da Prefeitura de Paty do Alferes em parceria com o Sebrae/RJ, desenvolvido pela eTrilhas.